segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Da Natureza.

Pequena semente,resistente ao sol e chuva

Grão menino,caroço de paixão

dentro do meu peito

cresce dentro de mim criando raizes e folhas

Eu quero comer de teus frutos agridoces

e sentir teu perfume

e dele gostar




Quero tua mansidão e tua sombra

E descansar em teus braços verdes e puros

quero sentir a brisa e adormecer

Ao som dos pássaros que te habitam

E cantam sem cessar




Quero compor canções firmes como teus galhos

Suaves como o teu mero existir

Que encante como tua sombra

Que embale como teu ventilar




Para que plante outras sementes

de amor,de dor ou de sonhar

Em outros peitos nesse mundo a fora

áridos de canção.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

De Pertencer.

Sou eu! 
Sou quando na rua ando e tropeço atrapalhada.
 Sou o que não quero,sou o que espero...
sempre sem saber como ser mais do que sou.
Não conheço de tudo o bastante mais do que me sou
só a mim pertenço,sempre tua.
Será tudo bastante o quanto sou...
Nada e tudo
rindo,topando na rua...
caindo e sorrindo...
sempre tua.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Do meio dia.

Consome
Fome
Calo
Arde
Tarde
Parte
Meio
Veio
Foi
Dia
Companhia
Risadaria
Almoço
Lugar
Falar
Mastigar
engolir
discernir
Sabor
Olor
Calor
Fortaleza
Litoral
Quente
Gente
Sol
Ruas
Andar
Voltar
Trabalhar
...
Uma hora.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

De Sarar.

Dentro e fora
fora e dentro
sou

Sou e fui
fui e era
nós

E cantando calo
fumando,saro
morrendo,vivo
vivendo sigo

E tudo que falo
é o mesmo canto
canto o inimigo 
e tudo, contigo

Sem ti, consigo
de triste sorrindo
de soro ,suar
de sua , sustar. 

Sangrenta.

Há uma canção
fúnebre, doce
me acalenta

Há uma sinfonia
desafinada, melódica
e cinzenta

Dentro dos tons
dentro de sons
se esquenta

Antes da noite
antes do açoite
sangrenta

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

às 16h

Todos os dias uma alegria me domina de forma alucinante, de modo que meus pés seguem seu caminho e eu apenas sorrio em cada passada.Olho a janela e uma palmeira imperial,dona do meu ar, dona do meu céu,do que vejo,ventila a ardente conspiração do sol com o concreto do apartamento.Às quatro da tarde ,se entrelaçam as suas folhas e os pobres raios que se vão em sombras que  cobrem as paredes , que refletem na televisão,refletem a mim.
Ontem era eu amorosa, terna de sentimentos, todos os sentimentos de errar : amor, paixão ,gostar...
Hoje assim ,como todos os dias, sou  sorrir, gargalhar, sou a gaitada mais completa,mais irritadiça, mais reprovada.,mas efusiva.Meu riso esconde meu olhar.

Os muitos sons  pertencem à minha boca como desde o princípio.Meu pai me disse que sabia que eu seria muito  viva ,porque quando nasci, de olhos bem abertos, vi o mundo ao meu redor e não chorei, esboçando apenas um som baixinho e leve, como um balido suspiroso.Mas os olhos, os olhos eram felizes,audazes.

Quisera eu ser tão estrangeira ao ponto de meus olhos não mais me entregarem os anseios e as dores.O meu olho é mais que espelho da alma, são as digitais.São prova criminal dos sonhos, das alegrias, do bom, do ruim.De tudo sempre fui muito culpada.Meus olhos  como o sol, ardem de alegria, queimam em tristeza e ficam completamente nublados  na solidão,ora mostrando sua graça iluminada, ora não,enevoados, ficam completamente difusos e momentâneos nos eternos,lânguidos ...

Todos os dias, os dias de minha vida,saio no meio da rua alegre e desordenada,seguindo esperanças, seguindo copos, corpos e embriagues.
Todos os dias de minha vida, alegre de mim,fujo da incandescente  lâmpada dos céus que o tempo todo teima em revelar o que não quero ver,pois, às quatro da tarde ,se entrelaça aos meus olhos de palmeira seus  pobres raios que me mostram  em sombras que  cobrem  meu entendimento, minha harmonia...ao ter refletida na televisão,reflete a mim.

domingo, 18 de setembro de 2011

Daquela ligação.

É certo que sou triste e não confio muito nos meus dias
É certo que sou brilhante, até que se tirem as mãos dos olhos, os anti-reflexos,as máscaras egoístas e preocupadas de ninguém
É certo que ando atordoada e inconstante
que dei meu ultimo beijo neste instante
na boca do que desejo
dormi ao lado de sobejo
fingi amor,mais do que pude.

Sorri pra dentro, calada
amei intensa...desvairada
cumpri a meta...


Confesso que vivi.
...Confesso que bebi!
escrevo bem alcoolizada
vivo bem desnorteada
pois sigo sempre a razão.
...recebi uma ligação!
era o passado livre
o passado forte
...não ! Era solidão!Era engano!
e eu aqui de novo, escrevendo uma canção
em tortos passos, vou ao chão
às raízes e à podridão


Confesso que perdi.
Confesso não querer mais tempo


Já vi  tudo de feio
 o desamor,  sofreguidão
 olhos aflitos...
 fome, mas não o perdão


Vi as Meninas brincando nas ruas
as vi nuas
vi seus seios, seus corpos, de Meninos ou não
tive pena
tive medo
podia ser eu
...
Poderia ter sido nós.
o primeiro amor
A luz dos olhos meus
poderia ser outra vida
dentro das muitas vidas que desperdicei


Vejo um fio de esperança
 e nos braços dele entreguei
do som do violão
do cheiro do contrabaixo
à voz fanha de sapo
aos olhos que nada sabem, nada vêem.
Me entreguei no interior, em alto mar, na praia, na rua, nos carros
me joguei de cabeça na vida
querendo viver
mal sabia eu que viver...nada mais é que aproximar o morrer
até que se fechem as luzes
até que se cubram de amor
os dedos gélidos e sós
de quem um dia sentiu dor.